« Três problemas »
Brachola e Zégas partem de metrô da Sé com destino a uma das estações da Zona Sul. Vão buscar encomendas para o Grande Magazine. Sentados próximos a uma das portas de saída do vagão, onde um grupo de passageiros aguarda o desembarque, conversam entretidamente e tom alto, o que desperta os ouvidos dos silenciosos passageiros:
- Zégas, até hoje eu não consigo entender a diferença entre pobrema, poblema, probrema e ploblema!
-Como você é burro Brachola! Pobrema é de matemática; poblema é da vida. Entendeu?
-E probrema e ploblema?
-Pô, meu, a gente não precisa saber tudo. Pra isso tem dicionário.
-Aaah, tá legal, meu.
Um advogado prestes a descer diz aos garotos:
-Desculpe-me a intromissão, meus jovens, mas vocês estão com mais um problema! – e desembarca.
-Zé, você entendeu qual foi a do cara? Eu não estou com problema algum, meu... E você, Zé, tá com algum?
O Zé permanece em silêncio.
-Que aconteceu, Zé?
-Brachola, você não entendeu o recado do cara? Não percebeu que a gente tem mais um pro-ble-ma?
-Mais um o que, Zé?
- Pro-ble-ma
-Cara, então são cinco! Eu já estava ferrado com quatro e agora o cara me arruma mais um tal de pro-ble-ma! Desisto, Zé. Prefiro ficar só com os da vida e os da matemática, que nem mesmo esses consigo resolver... Só faltava essa de me inventar mais um! É dose pra cavalo, meu.
E a conversa segue para as últimas contratações dos times de futebol paulistas.
Copyright©Ariovaldo Esteves Roggerio. Conto registrado na Biblioteca Nacional, e disponível no site www.familiaemcontos.com.br.

